Publicado em 02 de outubro de 2017
Vivemos um momento de profunda reflexão sobre o ofício publicitário. Com a chegada das consultorias ao mercado de forma mais ativa e as contratações na área da comunicação feitas por elas, estamos a todo momento repensando meios e maneiras de atualizar o modelo de negócio das agências que predomina desde a década de 90.
Além disso, a busca por eficiência e resultados mais precisos por parte dos anunciantes nos obriga a dedicar cada vez mais tempo à análise de dados para embasar e, consequentemente, sustentar um raciocínio criativo e/ou um planejamento estratégico.
Sendo assim, podemos imaginar que o “fim” das práticas publicitárias adotadas atualmente no mercado estão com os dias contados. Se este fosse um caminho concreto e inerente ao futuro dos negócios, qual então seria o modelo ideal para as agências? Ou ainda, com a perda da relevância das agências, quem atenderia a demanda de comunicação dos clientes? E por último, mas não menos importante, para aonde iriam as verbas de comunicação?
Analisando o cenário acima, algumas possibilidades surgem como opção. A primeira delas seria dizer facebook e Google. Mas há um porém nessa resposta. Ou melhor, um complemento a ela. Imagine que a cada dia que passa o mobile se torna a principal ferramenta de negócios/entretenimento/relacionamento na vida das pessoas e por consequência se torna também um ingrediente imprescindível para o sucesso das marcas. Só que o mobile não é a ferramenta em si, ele é apenas um meio para acessar conteúdo e compartilhar a vida em tempo real. Logo, concluímos que o mobile depende de “canais” para atrair a atenção das pessoas – nesse caso, entenda canais como um meio de segmentar os tipos de conteúdos. E esses “canais” nada mais são que os aplicativos.
Vamos trabalhar com a seguinte hipótese:
Imagine uma empresa querendo conversar com pessoas de ambos os sexos a procura de um relacionamento, com quem eles iriam conversar? Tinder e/ou Happn. Querendo falar com pessoas que praticam esporte diariamente? Strava. Escutam música durante o trajeto de ida e volta para a casa? Spotify. Enfim, acho que você entendeu o raciocínio.
Nesse momento você deve estar se perguntando: se hoje eles são mídia, por que razão eles se posicionarão como concorrentes das empresas que são a principal fonte de renda deles?
Simples! A “crise” (financeira ou emocional ou qualquer adjetivo que você queira dar a ela) está moldando a maneira que as empresas contratam seus parceiros ao mesmo tempo que os Apps buscam constantemente aumentar suas receitas. É no casamento desses insights que o raciocínio acima é sustentado.
Vale lembrar que não podemos resumir aplicativos somente ao serviços que eles prestam. Até por que a maioria deles são corporações enormes, que valem bilhões de dólares.
Para concluir, os dados são parte fundamental para entender o comportamento do consumidor, e segmentar a comunicação é uma das maneiras mais eficientes de obter retorno em cima do investimento em comunicação.
Por isso, pergunto: quais são os atributos que distingue um possível parceiro de um potencial concorrente? Até onde colocar dinheiro num aplicativo é alimentar um potencial concorrente?
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